ONG de animais abandonados recebe R$ 1 a cada livro infantil vendido

Por Bruno Molinero

Tudo começa com um rabo de tigre. Depois vem um elefante no circo, uma cabeça de alce na parede e um sapato feito de couro de jacaré. No livro “Resgate Animal”, que será lançado neste sábado (8) em São Paulo, situações corriqueiras e uma brincadeira inteligente ajudam a discutir com crianças casos de exploração animal.

A brincadeira é a seguinte: cada página dupla do livro vem com uma película transparente, na qual está desenhado um bicho ou uma parte dele. Assim, dependendo sobre qual folha essa película é colocada, surge uma cena completamente diferente (veja abaixo).

O tigre que a princípio é um tapete aparece no meio da selva com um simples virar de folha. A tartaruga que está presa em uma rede logo surge depositando seus ovos na areia. O urso preso no zoológico contempla um horizonte esverdeado com a mudança. E aí vem o jogo do título: a criança pode brincar de libertar ou resgatar esses animais.

 

“Estamos muito satisfeitos com o sucesso internacional do livro, principalmente por causa da forte mensagem que ele carrega. Vivemos em um mundo onde a mudança climática mostra que estamos tirando mais da Terra do que dando de volta. O impacto sobre o ambiente e sobre os animais precisa ser mostrado a uma geração que ainda pode fazer mudanças nesse cenário”, diz Ann Scott, da editora inglesa PatrickGeorge, que publicou a versão original da obra.

“Resgate Animal” saiu no Brasil pela editora Carochinha e faz parte de uma coleção que conta com mais três títulos da casa inglesa: “Cores”, “Formas” e “Opostos”. Todos com o mesmo princípio e uma página transparente que modifica a leitura das imagens.

Por seu caráter quase militante, o título brasileiro foi lançado já com uma parceria firmada com a ONG Ampara Animal, que ajuda mais de 250 abrigos de animais abandonados no país. A cada exemplar vendido, R$ 1 é destinado à organização. Atitude interessante do ponto de vista da ação, mas também da estratégia de vendas –se é difícil vender livros no Brasil, a colaboração de uma ONG que propaga uma mensagem positiva pode ser fundamental.

Até porque a editora precisa de alguma maneira equilibrar as contas do livro. A ideia original era que a obra fosse publicada com a ajuda de um financiamento coletivo. Mas, com quase cinco meses de campanha no ar,  foram arrecadados pouco mais de R$ 10 mil –enquanto a meta da empreitada era de R$ 65 mil. A diferença saiu dos cofres da empresa.

Voltando à história, esse mesmo caráter militante demanda, por outro lado, um pouco de atenção de pais e professores. É claro que ninguém quer ver um elefante no circo só para alegrar uma plateia que se empanturra de pipoca. Ou aplaudir o fato de 100 milhões de tubarões morrerem por ano, segundo a organização Sea Sephered, só porque tem gente que gosta de sopa de barbatana ou de adereços feitos com dentes ou outras partes do corpo do predador.

Mas o que falar dos zoológicos? Podemos criticar o entretenimento, claro, mas e as instituições sérias que resgatam animais feridos ou rejeitados que não sobreviveriam à própria sorte na vida selvagem? E da produção de alimentos? Afinal, o vegetarianismo para crianças está longe de ser consenso e ainda não se sabe muito bem como produzir carne e alimentar bilhões de pessoas com um modelo que passe longe da pecuária intensiva e extensiva que vemos hoje por aí.

Essas questões não aparecem em “Resgate Animal” –e nem deveriam estar problematizadas nas páginas. Só que elas são levantadas pela obra e precisarão ser tratadas mais cedo ou mais tarde com os leitores. “O livro transforma um assunto pesado em algo mais fácil para a criança entender e para o adulto (pai, professor, familiar) discutir. A criança pode fazer suas próprias perguntas, e o adulto pode escolher o quanto quer explicar”, diz Ann Scott.

 

“Resgate Animal”

Autor e ilustrador Patrick George

Tradutor Diego Salerno

Editora Carochinha

Preço R$ 44,90 (2016; 52 págs.)

Lançamento sábado (8), das 11h às 17h, na Livraria Cultura (av. Paulista, 2.073 – Conjunto Nacional, São Paulo/SP)

 


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