Vencedores do ‘Nobel’ da literatura infantil, Roger Mello e autor chinês fazem livro juntos

Por Bruno Molinero

Em seu livro “Atlas” (de 1984, publicado no Brasil pela Companhia das Letras), o argentino Jorge Luis Borges escreveu que “todas as coisas do mundo me levam a um encontro ou a um livro”. Mas muitas vezes elas levam aos dois lugares.

“Tudo muda depois do prêmio. Principalmente a conexão com autores do mundo inteiro de uma forma mais efetiva”, diz o autor e ilustrador Roger Mello sobre o prêmio Hans Christian Andersen, considerado o Nobel da literatura infantojuvenil, que ele venceu em 2014.

Com o prêmio, veio o encontro com o escritor chinês Cao Wenxuan, que também ganhou o Andersen, em 2016. Depois nascerem os livros.

O primeiro que os dois fizeram juntos foi “Feather” (“Pena”, em português), que conta a história de uma pena que parte em uma jornada de descoberta, encontrando diferentes pássaros, até encontrar o animal ao qual pertence. Ainda inédito no Brasil, mas já traduzido para mais de dez países, a obra tem previsão de chegar por aqui pela Companhia das Letrinhas.

Capa do livro “Borboleta Limão” (Divulgação)

Esse ainda não foi lançado no país, mas já existe outra parceria entre Mello e Wenxuan saindo do forno. “Lemon Butterfly” (“Borboleta Limão”, em tradução livre) tem previsão para ser lançado na China no segundo semestre e faz o leitor acompanhar uma borboleta esverdeada por desertos, rios e montanhas em busca de um campo de flores. A ilustração deste texto é do livro.

Se Wenxuan segue com seu forte estilo filosófico, a história tirou Mello da zona de conforto. “É o livro mais branco que fiz em toda a minha vida. Mas é muito bonito, porque mostra que tudo é mudança. Trata com crianças de questões como identidade e também de morte e transformação. Mas de um jeito muito oriental”, diz.

O livro terá duas edições na China. Uma com tiragem maior e impressão mais simples, para ser distribuída nas escolas do país. Outra com capa dura. “Como é uma obra muito gráfica, minimalista, acabei fazendo ilustrações específicas para cada edição.”

Ainda não há previsão para lançamento no Brasil.

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MAIS LIVROS

Ainda neste ano, Roger Mello deve lançar mais dois livros. O primeiro deles também vem da Ásia, mas da Coreia do Sul. “Magma Boy” (“Menino Magma”, em português) foi criado a quatro mãos com o artista coreano Woo-Hyon Kang, após sucessivas visitas à ilha Nami.

O local fica a pouco mais de uma hora da capital, Seul, e tem uma relação próxima com a literatura infantojuvenil: é patrocinador do prêmio Hans Christian Andersen e promove uma premiação desde 2013 para ilustradores do mundo todo –neste ano, a brasileira Marilda Castanha foi uma das vencedoras.

“É um livro de arte, mas com edição que não fique cara. É um bonito desafio”, conta Mello. A versão em inglês já está pronta, e a em coreano está prestes a sair. No Brasil, a obra deve chegar às livrarias até o fim do ano, pela Global.

A editora também tem previsão de publicar em 2017 “Clarice”, livro infantojuvenil de Roger Mello inspirado na família do ilustrador.

 


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