Conheça os finalistas do ‘Nobel’ da literatura infantil

Os 11 finalistas do prêmio Hans Christian Andersen, considerado o Nobel da literatura infantojuvenil, foram divulgados na última semana pelo IBBY (International Board on Books for Young People), entidade responsável pela premiação.

Os cinco escritores selecionados são Marie-Aude Murail (França), Farhad Hassanzadeh (Irã), Eiko Kadono (Japão), Joy Cowley (Nova Zelândia) e Ulf Stark (Suécia). Entre os nomes que concorrem na categoria para ilustradores estão Pablo Bernasconi (Argentina), Linda Wolfsgruber (Áustria), Xiong Liang (China), Iwona Chmielewska (Polônia), Igor Oleynikov (Rússia) e Albertine (Suíça). Saiba mais sobre cada um deles abaixo.

A lista foi escolhida por um conselho de dez jurados. As brasileiras Marina Colasanti e a Ciça Fittipaldi chegaram a ser indicadas ao prêmio, mas não ficaram entre as finalistas. É bom lembrar que o Brasil já teve três vencedores do Andersen. Lygia Bojunga, em 1982, e Ana Maria Machado, em 2000, ganharam na categoria texto. Roger Mello, em 2014, foi o primeiro latino-americano a vencer na categoria ilustração –e, por enquanto, o único.

Os vencedores em cada categoria serão anunciados no dia 26 de março, na Feira do Livro Infantil de Bolonha.

O evento, que vai até o dia 29 de março, é considerado o principal encontro para editores, autores e agentes ligados ao livro infantojuvenil. Neste ano, além dos profissionais brasileiros que viajarão para a cidade italiana, a autora e artista plástica Stela Barbieri vai representar o Brasil no evento. Ela foi escolhida para fazer parte do time de ilustradores cujas obras serão expostas –no total, serão 76 profissionais de 25 países.

 

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OS FINALISTAS

 

Escritores

 

Marie-Aude Murail (França, 1954)

Estudou na Sorbonne e escreveu diversos livros para crianças, muitos dos quais sob o pseudônimo Moka. Seus livros mais conhecidos são os que aparecem o personagem Émilien Pardini, um garoto que vive sozinho com sua mãe. No Brasil, a editora SM publicou “Tantã” (2009), sobre um rapaz de 22 anos que tem mentalidade de uma criança de três.

 

Farhad Hassanzadeh (Irã, 1962)

Autor iraniano, trabalha com literatura infantil e juvenil por mais de 25 anos. Já escreveu novelas, poemas e adaptou velhos contos do país –além de ter escrito biografias e ensaios jornalísticos. Seus livros costumam falar sobre os efeitos da guerra, a migração forçada, o amor adolescente e os moradores das regiões mais pobres.

 

Eiko Kadono (Japão, 1935)

Embora tenha nascido em Tóquio, Kadono viveu no Brasil por dois anos quando tinha 25 anos –o país inspirou um de seus trabalhos “Ruijinnyo Shōnen, Burajiru o Tazunete” (“Brasil e Meu Amigo Luizinho”), sobre um garoto que adora dançar samba. Vencedora de diversos prêmios, ela é mais conhecida por “Majo No Takkyūbin” (“Kiki’s Delivery Service”), que foi adaptado para uma animação pelo diretor Hayao Miyazaki (de “A Viagem de Chihiro”).

 

Joy Cowley (Nova Zelândia, 1936)

Desde os anos 1960, a autora não para de escrever e já bateu a marca de 600 livros publicados –grande parte deles, velhos conhecidos de escolas e alunos da Nova Zelândia. Também escreve para adultos, sobretudo obras espirituais. Um de seus livros mais técnicos foi publicado no Brasil pela Gryphus em 2014: “Escrevendo com o Coração – Como Escrever Para Crianças”.

 

Ulf Stark (Suécia, 1944-2017)

Está entre os mais conhecidos autores suecos de livros para crianças. Autor de mais de 30 livros infantis e juvenis, traduzidos para mais de 20 idiomas (entre eles, o português), Stark morreu em junho do ano passado, vítima de um câncer. A Callis publicou por aqui “Você Sabe Assoviar?”, em 2007.

 

Ilustradores

 

Pablo Bernasconi (Argentina, 1973)

Conhecido por ilustrar para a imprensa, como para os jornais “Clarín” e “The New York Times”, Barnasconi é também ilustrador e autor de livros para crianças. No total, publicou cerca de dez obras autorais –várias delas publicados no Brasil pela Girafinha, caso de “Excessos e Exageros” (2008), “O Diário do Capitão Arsênio” (2007) e “O Zoo de Joaquim” (2009).

 

Linda Wolfsgruber (Áustria, 1961)

Premiada ilustradora, desenvolve um trabalho com escolas e instituições culturais relacionado à leitura e à criatividade, encorajando crianças a participarem de seu processo criativo. Wolfsgruber morou em Teerã, onde trabalhou com artistas, estudantes e meninas, e também desenvolveu um projeto em que ilustrou histórias africanas com a ajuda de crianças. Seus livros foram traduzidos para mais de 15 línguas.

 

Xiong Liang (China, 1975)

É um dos principais autores de livros ilustrados de Pequim. Com um estilo delicado, explora o diálogo entre a tinta e o vazio do papel, lembrando as aquarelas chinesas tradicionais. Em suas histórias, cada objeto parece ter alma e ser detentor de sentimentos e pensamentos. Ele já havia sido indicado ao Hans Christian Andersen.

 

Iwona Chmielewska (Polônia, 1960)

A ilustradora desenvolve uma pesquisa sobre a relação entre imagem e texto, construindo narrativas visuais inovadoras. Entre os temas que já abordou em suas obras estão a deficiência, a injustiças e a sensação de não se enquadrar em uma vida comum. Ela acaba de ser publicada no Brasil. A editora Pulo do Gato lançou no ano passado “Diário de Blumka”.

 

Igor Oleynikov (Rússia, 1953)

Antes de se dedicar aos livros para crianças, Oleynikov começou a trabalhar com animações. Em 1979, ingressou no estúdio russo Soyuzmultfilm, com sede em Moscou. Foi em 1986 que passou a ilustrar publicações infantis e, depois, livros para esse público. Seus personagens parecem saídos de mundos mágicos, transitando entre o humano e o animal.

 

Albertine (Suíça, 1967)

A artista plástica colabora com diferentes publicações suíças e de língua francesa. Começou a ilustrar livros infantis com o marido, o escritor Germano Zullo. Em pouco tempo, suas obras passaram a ser premiadas –sempre com um traço simples e, ao mesmo tempo, impactante (como os da imagem que abre este texto). A editora 34 publicou no Brasil o excelente “Os Pássaros” (2013) e “Dadá” (2014).

 


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